Os Megaeventos e a exploração sexual / Nosso corpo, nosso primeiro território!

NEGRIARA


Nosso corpo, nosso primeiro território! PDF Imprimir E-mail
Silvia M. S. Camurça
Militante da Articulação de Mulheres Brasileiras e integrante da equipe multiprofissional do SOS Corpo (Recife - PE). Texto originalmente publicado na Revista Bocas do Mundo (AMB)

Foi no Fórum Social das Américas de 2003, na Guatemala, que começamos a posicionar nossa denúncia da violação e controle do corpo das mulheres nestes termos, ou seja tomando nosso corpo como nosso território, território que estamos dis-postas a defender. “Aqui não se toca, não se mata, não se maltrata”, era o complemento da frase que ali gritávamos em portunhol, brasileiras e guatemaltecas liderando caminhada na manhã de abertura do Fórum.
A ideia não se confunde com a insígnia ‘nosso corpo nos pertence’ dos anos 1970, mas trata da mesma questão, contudo indo mais além. Vejamos. Em ‘nosso corpo nos pertence’ afirmamos a autoridade do Eu de cada mulher sobre o próprio corpo, uma questão de autonomia e autodeterminação. Entretanto, ao mesmo tempo, esta insígnia dá margem a manter a dicotomia entre mente e corpo, como duas coisas separadas, um pertencendo ao outro: meu corpo pertence a mim. Ou seja, um Eu separado e possuidor de um corpo.
Com a ideia de ‘nosso corpo, nosso território’, propomos tomar o corpo como território onde nossa vida habita, algo inseparável da própria vida que se realiza através e pelo corpo, nossa base material de existência humana: meu corpo sou eu. Não há um EU separado do corpo. Esta ideia é especialmente importante para atualizar o debate sobre a autodeterminação reprodutiva de nós mulheres e, me parece, tem a força necessária para reafirmar que temos direito a sermos “donas de si mesmas”.
A insígnia “nosso corpo, nosso território” mantém o centro da demanda e da denúncia colocada em público nos anos 1970 e nos vincula à luta do presente contra a expropriação de outros territórios, lugares de existência coletiva. A luta em defesa de seus territórios vem sendo levada pelas homens e mulheres indígenas, quilombolas e de populações tradicionais do Brasil e de outros países da América Latina. Assim, essa é uma ideia que nos vincula umas as outras. No Brasil, vincula as mulheres do sudeste com as da Amazônia, as do litoral Cearense com as de Goiás, as da Bahia com as do Espírito Santo e as de Pernambuco. Nos vincula à luta por justiça
socioambiental, uma das frentes de luta da Articulação de Mulheres Brasileiras na qual confrontamos o padrão atual de desenvolvimento e denunciamos a situação das mulheres nas áreas de conflitos socioambientais em cada um destes estados.
Por território nos referimos a algo a mais que a terra. O tema nos remete a lugar onde se vive, onde as relações sociais se realizam, onde se produz, se cuida do viver, se faz cultura, arte, lugar de raízes, com história e sentido comum para quem o habita. Sabemos que as populações desalojadas de seu território podem até receber novas terras para habitar, mas nunca terão de volta seu território para sempre perdido e, com ele, a teia de relações sociais que ali estavam estruturadas.
Os territórios de muitas populações estão hoje fortemente ameaçados pela força do capital em sua nova fase de desenvolvimento. Esta ameaça se faz na forma de agronegócio, de especulação imobiliária, ou de grandes obras de desenvolvimento como hidrelétricas, transposição de rios, entre outras.
Trazendo o conceito para falar de nós mulheres, afirmamos que nesse território da vida que é o corpo, é que nossos sentimentos, nossas ideias, nossa inteligência, nosso desejo, nossa dor, nosso prazer acontecem. Assim podemos compreender melhor as críticas à mercantilização do corpo da mulher, por exemplo, pela medicina estética. Na verdade, pela mercantilização dos corpos femininos, a indústria da medicina estética mercantiliza e transforma em mercadoria as próprias mulheres. De consumidoras de produtos de beleza passamos a ser consumidas pela indústria que enriquece às custas dessa exploração.
Vamos mais além, nosso corpo, nosso território, é também explorado pela indústria farmacêutica, que acumula milhões pelo consumo de remédios, dos quais nós mulheres somos as principais usuárias. Entre eles estão tranquilizantes, antidepressivos e afins, medicamentos que no final das contas apenas são paliativos, mas nos ajudam a enfrentar os efeitos e dores que a situação de opressão nos impõe ao longo da vida.
Somos também exploradas pela indústria de turismo de massa: pela venda e mercantilização das mulheres negras, vendidas como mulatas, “produto de exportação”, ou a “mulher brasileira”, apresentadas ao consumidor de turismo sexual como muito caliente e disponível. Explora-nos no trabalho sexual, mas nos explora também nos serviços hoteleiros, restaurantes e casas de diversão, mediante contratos de trabalho precários e desvalorizados. E ainda como “nativas”, indígenas ou não, nas florestas, no pantanal ou nas praias do nordeste e do sul, sempre vendidas como prendas fáceis e disponíveis para a conquista do visitante.
Por fim, gritamos que nosso corpo é nosso território, para dele afastar o poder do direito patriarcal e a ingerência das autoridades religiosas que, em nome da fé ou da lei, criminalizam as mulheres pela prática do aborto. Nosso corpo não é um “meio” ou um instrumento a serviço da reprodução biológica da vida humana. Não. Nosso corpo é parte de nossa própria existência, vale por si mesmo, como tem sentido a existência de toda mulher. E sobre nós, nossa existência, somos e queremos ser sempre soberanas, livres, sujeita de nossas vontades e donas, cada uma, de si mesmas.


Os Megaeventos e a exploração sexual
Lívia Gimenes Dias da Fonseca
Doutoranda em Direito/UnB e integrante do projeto Promotoras Legais Populares do Distrito Federal (PLPs/DF)

Os Megaeventos, que incluem a Copa do Mundo e as Olimpíadas que irão ocorrer no Brasil em 2014 e 2016, respectivamente, mobilizam as práticas de esporte, mas também as mais variadas práticas de violações de Direitos Humanos. A Revisão Periódica Universal da ONU, lançada em maio de 2012, questiona a violação de direitos humanos na preparação para Copa de 2014 em especial no que tange a reestruturação urbana que já tem provocado deslocamentos e despejos forçados1.
Em ritmo de Rio+20, o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) já tem demonstrado preocupação com o impacto ambiental dos megaeventos. O PNUMA prevê que a Copa do Mundo gerará o aumento de 5,5 milhões de turistas, que visitam anualmente o Brasil, para em torno de 7,2 milhões, realizando campanha mundial para que os estrangeiros busquem opções de atividades turísticas de baixo impacto ambiental2. Todavia, a preocupação do movimento feminista está em relação ao impacto que este aumento do turismo pode realizar sobre os corpos das mulheres que são colocados como “ofertas” turísticas aos visitantes.
O turismo sexual se beneficia das facilidades oferecidas pela indústria do turismo (hotéis, bares, clubes noturnos, etc.) para servir a turistas nacionais e estrangeiros por meio da oferta de “pacotes turísticos” que incluem “promoções” de exploração sexual comercial de mulheres, crianças e adolescentes frequentemente vitimizadas pelo tráfico de pessoas.
A Fundação francesa Scelles apresentou recentemente estudo comprovando que essas grandes competições internacionais permitem que as redes criminosas “aumentem a oferta” de prostitutas. Na África do Sul, por exemplo, o número de prostitutas no país, estimado em 100 mil, aumentou em 40 mil pessoas durante a Copa do Mundo3. Outro exemplo, em março de 2012, a Procuradoria Especializada em Defesa da Criança e do Adolescente de Mato Grosso denunciou um sitio na internet denominado “Garota Copa Pantanal 2014” que divulgava vídeos e fotos de garotas menores de 18 anos em posições sensuais com camisetas promocionais alusivas ao torneio de futebol4.
Importante ressaltar que o enfrentamento à exploração sexual de mulheres não se faz coagindo as profissionais do sexo, isto é, culpabilizando as mulheres pelas violações de direitos a que são submetidas. Afinal, prostituição não é crime. O que se busca combater são a exploração e o abuso da vulnerabilidade em que, por vezes, se encontram essas mulheres.
Em todo o mundo, estima-se que, por ano, 2,5 milhões de pessoas sejam vítimas de tráfico de seres humanos, atividade que submete suas vítimas a cárcere privado, exploração sexual, trabalho escravo e venda de órgãos humanos5. Este crime afeta principalmente mulheres e meninas, que representam 79% dos casos6. O Estado de Goiás ocupa a primeira posição do ranking nacional de tráfico de pessoas. De acordo com dados de inquéritos apurados pela Polícia Federal, o estado goiano foi responsável, nesta década, por 140 (18,6%) dos 750 casos registrados em todo o País nesse período7.
O Distrito Federal também é uma importante rota da exploração sexual de crianças e adolescentes. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal, a cada três dias é encontrada uma criança ou adolescente em situação de risco nas estradas que cortam a capital e o Entorno. Em 2011, houve 124 flagrantes em carros, bordéis e boleias de caminhão9.
Os dados do Disque Denúncia 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH/PR), referentes ao período de janeiro a fevereiro de 2011, demonstram que o sexo feminino corresponde à maioria das vítimas nas mais variadas formas de violência sexual praticadas contra crianças e adolescentes: são 80% das vítimas de exploração sexual, 67% de tráfico de crianças e adolescentes, 77% de abuso sexual e 69% de pornografia10.
O Pacto Nacional de Enfrentamento à violência contra a mulher obriga o Estado brasileiro a implementar campanhas e apoiar ações educativas permanentes que possibilitem a desconstrução dos mitos e estereótipos relacionados à sexualidade das mulheres e à naturalização da violência contra as mulheres; e que promova o enfrentamento à exploração sexual e ao tráfico de pessoas, principalmente nas cidades sede da Copa do mundo 2014 (eixo II, item 2 - f).
Para fiscalizar as ações do Estado e pressionar para que haja medidas efetivas de proteção aos Direitos Humanos estão sendo organizados diversos Comitês Populares da Copa e a temática da exploração dos corpos de mulheres, crianças e adolescentes não pode ficar de fora dessa vigilância11.
(1) Disponível em http://www.onu.org.br/revisao-periodica-universal-da-onu-questiona-direitos-humanos-na-preparacao-paracopa-de-2014
(2) Disponível em http://www.onu.org.br/rio20/pnuma-lanca-passaporte-verde-para-conscientizar-turistas
(3) Disponível em http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2012/01/120118_prostituicao_df_is.shtml, acesso em 04/06/2012.
(4) Disponível em http://g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2012/03/site-e-suspeito-de-usar-meninas-de-biquini-parapromover-copa-em-mt.html, acesso em 04/06/2012.
(5) Saiba mais em http://www.oitbrasil.org.br/sites/default/files/topic/tip/pub/cidadania_direitos_humanos_372.pdf
(6) Disponível em http://www.andi.org.br/infancia-e-juventude/pauta/trafico-de-pessoas-numeros-no-brasil, acesso em 04/06/2012.
(7) Disponível em http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4801416-EI5030,00-Goias+lidera+o+ranking+de+trafico+de+pessoas+no+Brasil.html, acesso em 04/06/2012.
(8) Notícia “DF na fronteira da exploração sexual infantil”, do Correio Braziliense, de 01/06/2009, Cidades, p. 17. Em relação a estas denúncias, foi instalada em março de 2012, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes no Distrito Federal.
(10) Disponível em http://www.cet.unb.br/turismoeinfancia/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=143:18-de-maio-dia-nacional-de-combate-ao-abuso-e-a-exploracao-sexual-de-criancas-e-adolescentes&catid=13:noticias&Itemid=24, acesso em 04/06/2012.
(11) Saiba mais em http://www.portalpopulardacopa.org.br/index.php

(27/09/2010) Um olhar de gênero na PNAD/2009

NEGRIARA

 
A análise é da professora de economia e coordenadora da área de educação da SPM, Hildete Pereira
 (27/09/2010) - A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios/IBGE lançada neste mês de setembro de 2010 pelo IBGE investiga pessoas e domicílios a respeito dos temas: população, migração, educação, trabalho, famílias, domicílios, rendimentos. Selecionou-se alguns itens para resumidamente fazer uma análise de gênero sobre estes temas.

População
A população residente estimada: 191,8 milhões, as mulheres representavam 51,3% (98,4 milhões) e os homens 48,7% (93,4 milhões) da população residente.

As mulheres são maioria na população, com maior concentração nas faixas etárias mais altas. São mais e mais velhas. O conjunto das mulheres com 40 anos ou mais de idade eram 36,4% do total de mulheres, enquanto que os homens na mesma faixa de idade totalizavam 33% do conjunto masculino.

Cor/RaçaContinua aumentando o número de pessoas que se declararam pretas e pardas (negras), o contingente negro é mais significativo na população masculina, esta se declarou 48,3% branca e 51,8% negra. Enquanto as mulheres são 49,5% brancas e 49,5% negras.

Indígenas e orientais são 0,9% da população residente e mantém a mesma participação na população feminina e masculina.

EnvelhecimentoA população brasileira envelheceu; nos últimos 17 anos, a participação da população com 40 anos ou mais de idade cresceu 10,1% pontos percentuais e como as mulheres continuam vivendo mais que os homens, a população feminina de 60 anos e mais de idade são 56,2% e os homens são 43,8% dos idosos/as brasileiros/as.   

Taxa de Fecundidade
Continua caindo à taxa de fecundidade nacional, há uma redução no número de filhos da população de 15 anos ou mais. Há 25 anos as mulheres tinham, em média, 3,5 filhos - em 2009 esta média foi de 1,9 filhos. Em relação a 2008 permaneceu constante esta taxa de fecundidade.

Estado CivilPela primeira vez a PNAD perguntou sobre o estado civil da população e 45,8% das pessoas de 15 anos ou mais são casadas. Olhando para este indicador segundo sexo as mulheres são 44,2% casadas, 40% são solteiras, 9,4% são viúvas e 6,4% são divorciadas, separadas. Enquanto os homens são 47,6% casados, 46% solteiros, 2,2% viúvos e 4,3% divorciados, separados.
Há mais mulheres viúvas e separadas judicialmente do que homens, provavelmente a maior longevidade feminina explica esta evidência.

Educação
A taxa de analfabetismo das pessoas com 15 anos ou mais, em 2009 foi 9,7% - são 14,1 milhões de analfabetos. Houve uma redução de 1,0% no número de analfabetos. As maiores taxas de analfabetismo estão entre as pessoas mais idosas. As pessoas com 50 anos ou mais idade respondem por 21% dos analfabetos nacionais. Há um número maior de mulheres devido a sua maior longevidade.

A taxa de escolarização da população entre 7 e 14 anos elevou-se. Em 2009, 98% das crianças e adolescentes brasileiros/as estavam na escola.

O número médio de anos de estudos continua crescendo na população, mas as mulheres continuam na frente. Em 2008, os homens tinham em média 6,2 anos de estudos e as mulheres 7,2. Em 2009, as mulheres passaram para 7,4 anos em média de estudos e os homens foram para 7,0 anos de estudos em média.

Mercado de Trabalho
Abaixo relacionamos os principais indicadores de condição de atividade e de ocupação da população de 10 anos ou mais de idade para o Brasil em 2009:
Taxa de atividade - (percentagem da PEA em relação ao total de pessoa):
Mulheres - 52,7% e Homens - 72,3 %.
Nível de Ocupação - (percentagem de pessoas ocupadas em relação ao total de pessoas): Mulheres - 46,8% e Homens - 67,8%.
Taxa de Desocupação - (percentagem das pessoas desocupadas em relação a PEA): Mulheres - 11,1% e Homens - 6,2%
Distribuição da PEA - população economicamente ativa (ocupadas e desocupadas)Mulheres - 43,9% e Homens - 56,1%
Distribuição das Pessoas Ocupadas
Mulheres - 42,6% e Homens - 57,4%

Os indicadores acima mostram a realidade do mercado de trabalho nacional: as mulheres ainda têm um nível de ocupação menor que os homens, embora na década este venha crescendo. A desocupação é mais grave para as trabalhadoras nacionais, permanece a histórica taxa de desocupação mais alta para as mulheres. Em geral as mulheres começam a trabalhar mais tarde que os homens.

As mulheres continuam, ganhando menos que os homens a razão do rendimento de trabalho mulher/homem foi de 67,1 em 2009. Melhorou em relação a 2008 que foi de 66,5%, isto apesar do nível de instrução mais elevado que o dos homens.

As diferenças ainda permanecem no mercado de trabalho, embora venham diminuindo...
Onde elas estavam trabalhando?
As atividades agrícolas e industriais ocupam 25,4% das mulheres e 74,6% delas estão nas atividades de serviços. As informações da PNAD apresentam uma surpresa com relação ao serviço doméstico remunerado. Este que em 2008 tinham sofrido uma pequena retração na ocupação feminina voltou a crescer, em 2009 significa 17% da ocupação das mulheres (são 6,7 milhões de trabalhadoras domésticas) e em 2008 esta taxa tinha sido de 15,8% (6,2 milhões de trabalhadoras domésticas).

Foram 500 mil mulheres a mais nesta atividade.

O que explica isso?A PNAD vai a campo na última semana de setembro talvez tenha influenciado, isto é, em setembro de 2009 a crise tinha acabado de passar na economia brasileira e a investigação reflete o ajuste promovido na crise. As mulheres perderam ocupação e as menos escolarizadas recuaram para a atividade doméstica remunerada, enquanto que as mais educadas que não perderam seus postos de trabalho - sobretudo nas atividades de serviços. A crise econômica foi mais forte no setor industrial, foi o chão de fábrica (masculino) que desempregou. Desta forma, as mulheres de classe média e ricas puderam fazer este ajuste em cima das mais pobres.

Carteira de Trabalho
Cresceu a formalização para homens e mulheres, foram 32,3 milhões de empregados com carteira assinada. As mulheres com carteira de trabalho assinada são em 2009 34,2% das empregadas. As domésticas também tiveram um aumento na taxa de formalização, esta em 2009 representa 4,5% desta ocupação e esta taxa foi de 4,1% em 2008. Este crescimento foi importante apesar da crise econômica.

Trabalho Infantil
Houve redução no trabalho infantil, mas ainda temos 908 mil crianças com menos de 14 anos trabalhando no Brasil, e entre 14 e 15 anos temos 1,2 milhões de adolescentes. Os meninos trabalham na agropecuária e as meninas no emprego doméstico.

Breve SínteseAs informações mostram que as mulheres continuam ingressando no mundo do trabalho fora de casa, elevando sua escolaridade e tendo menos filhos. Mas, a articulação entre os papéis feminino e masculino indica que há diferenças de inserção no mercado de trabalho entre os dois sexos, expressas pelas diferenças na taxa de atividade e na de desocupação.

Tudo indica que a elevação do emprego doméstico remunerado é mais uma reação à crise econômica de 2008/2009 do que uma reversão na tendência de queda desta atividade que apontavam os dados da ocupação de 2007 (PNAD/IBGE).

Fonte: SPM

APRESENTANDO O PROGRAMA


O Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia visa promover a igualdade entre os gêneros, entre mulheres brancas e negras e o empoderamento de todas as mulheres. Ele é construído em parceria pela ONU (Organização das Nações Unidas) e pelo governo brasileiro para facilitar o alcance dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), da Declaração do Milênio, elaborada em 2000, pelos 191 Estados-Membros da ONU.

Os oito ODM estão ligados direta ou indiretamente a questão de gênero, raça e etnia, foco do Programa Interagencial. As mulheres, segundo dados da própria ONU, são 70% das pessoas que vivem na pobreza e, por isso, mais vulneráveis a violência de diversas formas, a doenças como HIV/Aids, falta de moradia e trabalho decente. No Brasil, elas estudam mais do que os homens e, ainda assim, têm menos chances de emprego, recebem menos do que eles trabalhando nas mesmas funções e ocupam os piores postos. Essa realidade para a mulher negra é mais desvantajosa ainda. A pobreza tem gênero e cor no Brasil.

No entanto, a mobilização de organizações feministas, de mulheres e de negras (os) contra o sexismo e o racismo vem mudando esse cenário e conquistou, dentro do próprio governo, um espaço efetivo de combate ao racismo, ao preconceito e a descriminação. A Secretaria Especial de Políticas para Mulheres (SPM) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), bem como os Planos de ação que delas derivaram – O Plano Nacional de Políticas para as Mulheres (PNPM) e o Plano Nacional de Promoção da Igualdade Racial (PLANAPIR) – e as agendas de cooperação internacional que tratam desses temas são ações de governo, fruto dessa mobilização.

Ao atender as demandas do movimento da sociedade civil organizada o Brasil conquistou um lugar de destaque entre outros países quando o assunto trata de políticas governamentais de ações afirmativas, seja no tocante a questão de gênero ou de raça.

E, visando fortalecer essas conquistas institucionais e a participação social, a ONU criou o Programa Interagencial de Promoção da Igualdade de Gênero, Raça e Etnia para cooperar com o Governo do Brasil, por meio do apoio à SPM e à SEPPIR.

Com uma duração de três anos (2009 a 2011), o Programa tem como parceiro financiador o Governo Espanhol, que criou um Fundo específico para implementar os ODMs não só em seu país, mas também em outras nações. Esse Fundo, o Fundo para o alcance dos ODMs financiado pela Espanha, é parte do esforço mundial para acabar com as situações dramáticas instaladas no mundo hoje.

O Programa é implementado por seis Agências da ONU: Unifem – ONU Mulheres (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para as Mulheres); UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância); PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento); UNFPA (Fundo de Populações das Nações Unidas); ONU-HABITAT (Programa das Nações Unidas para os Assentamentos Humanos) e OIT (Organização Internacional do Trabalho) e pelo governo brasileiro por meio da SPM e da SEPPIR.

O Programa – o primeiro no Brasil que reúne vários organismos da ONU – tem presença em 10 das 21 principais iniciativas do governo Federal voltadas para promover a igualdade entre os gêneros e a autonomia das mulheres e, em especial, nas políticas de promoção da igualdade racial. Iniciado no começo de 2009 suas atividades estão previstas para acontecer até o começo de 2012.

Ele está voltado para gestores e gestoras públicos (as) das três esferas governamentais – federal, estadual e municipal – e participantes de redes, articulações e organizações feministas, de mulheres e do movimento de mulheres negras e para a imprensa em geral

Campos de Ação
  • Atuar para a redução da violência de gênero e a efetividade das legislações de igualdade de gênero, raça e etnia;
  • Aumentar a participação política de mulheres, particularmente de mulheres negras, nos espaços de poder e decisão;
  • Inserir as dimensões de gênero, raça e etnia na gestão da política de trabalho, emprego e habitação;
  • Realizar ações para orientar os jornalistas a tratar os temas gênero, raça e etnia e para incentivá-los a dar maior cobertura sobre essa temática.

Resultados Esperados
Compreendendo o caráter estratégico das dimensões de gênero, raça e etnia no cotidiano da gestão pública, o Programa estabelece quatro resultados interdependentes;
  • Aperfeiçoamento das transversalidades de gênero, raça e etnia nas políticas, programas e serviços públicos;
  • Apoio aos Planos de Políticas para as Mulheres de Promoção da Igualdade Racial nas esferas estadual e municipal;
  • Aumento da participação das mulheres nos espaços de decisão, de forma igualitária, plural e multirracial;
  • Ampliação do apoio dos profissionais e dos veículos de comunicação para a divulgação e promoção de temas sobre igualdade de gênero, raça e etnia.

Elas fizeram história – Para conhecer, relembrar e se orgulhar

NEGRIARA


A mulher negra marcou e ainda marca a história do mundo atuando em diversas áreas como realizadoras, conquistadoras, criadoras, revolucionárias, transformadoras e todo e qualquer adjetivo que possa definir uma heroína. O talento artístico também fez surgir muitas estrelas que nos encantam e emocionam, seja pela voz, pela poesia ou outra forma de expressão.
Relembremos, agora, alguns nomes de uma extensa enciclopédia que bem poderia se chamar “Heroínas negras”. É apenas uma lista simples de um blog simples que, certamente, comete a injustiça de deixar muitas personalidades importantes de fora. Reconhecemos esta limitação e pedimos desculpas desde já. Mas o objetivo principal é homenagear todas as mulheres negras, incluindo as heroínas anônimas que fazem a sua parte nas lutas do dia-a-dia.
EDMONIA LEWIS
Foi a primeira mulher negra a ganhar fama e reconhecimento como escultora no mundo das artes. Nascida na cidade de Greenbush, Nova York, EUA, em 4 de julho de 1844, Edmonia Lewis era filha de pai haitiano e sua mãe era de Mississauga Ojibwe, Canadá. Estudou na escola de arte Oberlin College, uma das primeiras instuições de ensino superior nos EUA a admitir mulheres e pessoas de diferentes etnias. Mais tade foi para Roma onde viveu a maior parte de sua vida artística. Ao longo de sua carreira ela se inspirou na vida dos abolicionistas e dos heróis da Guerra Civil. Suas obras mais populares são Forever Free (1867), Hagar (1868) e Old Arrow-Maker and his Daughter (1866). Edmonia Lewis morreu em 17 de setembro de 1907. Fonte: Wikipedia.
LÉLIA GONZALÉZ
Foi uma intelectual, política, professora e antropóloga brasileira. Nasceu em Belo Horizonte em 1º de fevereiro de 1935 e mudou-se com a família para o Rio de Janeiro ainda criança. Estudou no Colégio Pedro II, foi assistente do filósofo Tarcísio Padilha na UERJ e na UFRJ. Como educadora, Lélia lecionou em muitas escolas de nível médio, em faculdades e universidades.  Foi professora no Instituto de Educação, no Colégio de Aplicação (UERJ), na rede estadual de ensino. Estudou profundamente sobre a história do povo negro e preocupava-se com a desigualdade e a exclusão racial. Como a primeira intelectual negra no país, tornou-se referência no movimento negro. Foi oradora, escreveu muitos textos, traduziu livros de filosofia e publicou o livro “Lugar do Negro”, que foi premiado na Feira Internacional do Livro na Alemanha. Em 1982 ingressou na política sendo suplente de Deputada Federal pelo PT e suplente de Deputada Estadual pelo PDT em 1986. Lélia lutou contra as desigualdades sociais e o racismo. Participou da criação do Instituto de Pesquisas das Culturas Negras (IPCN-RJ), do Movimento Negro Unificado (MNU), em nível nacional, do Nzinga Coletivo de Mulheres Negras-RJ, do Olodum-BA, dentre outros. Lélia Gonzalez foi eleita Chefe do Departamento de Sociologia na PUC-RJ e um mês depois veio a falecer, em 10 de julho de 1994. Fonte: Site Amai-vos.
BELL HOOKS
Gloria Jean Watkins nasceu em Kentucky, EUA em 25 de setembro de 1952. É escritora e militante feminina. Adotou como pseudônimo o nome de sua avó (bell hooks) e prefere que seja escrito em minúsculo para que a atenção seja concentrada em sua mensagem ao invés de em si mesma. Seu trabalho enfoca principalmente o estudo de sistemas de dominação e opressão, particularmente aqueles associados a questões como raça, classe e gênero. Publicou mais de trinta livros e muitos artigos acadêmicos. Realiza palestras e participou de diversos documentários. Seu primeiro livro (Ain’t I a Woman: Black Women and Feminism) escreveu aos 19 anos. Estudou literatura inglesa na Universidade de Stanford, na Universidade de Wisconsin e na Universidade da Califórnia. Lecionou Estudos Afro-americanos na Universidade do Sul da Califórnia e na Universidade de Yale e Estudos da Mulheres no Oberlin College em Ohio. Bell hooks atualmente mora em Nova York e continua sua luta contra o racismo e o sexismo nos EUA. Fonte: Wikipedia, Site Biography e Site Encyclopedia of World Biography.
NINA SIMONE
Eunice Kathleen Waymon nasceu em Tryon na Carolina do Norte, EUA, em 21 de fevereiro de 1933. É uma das maiores cantoras, instrumentistas e compositoras americanas. Adotou o psudônimo de Nina Simone para poder cantar nos cabarés de Nova York, Filadélfia e Atlantic City escondida de seus pais que eram pastores metodistas. Foi uma das primeiras artistas negras a ingressar na renomada Juilliard School of Music, em Nova Iorque. Ela se aventurou em diversos estilos, passando pelo gospel, soul, blues, folk e jazz. Nina Simone também se destacou e foi perseguida por ser negra e por abraçar publicamente todo tipo de combate ao racismo. Seu envolvimento era tal, que chegou a cantar no enterro do pacifista Martin Luther King. Sua canção “Mississippi Goddamn” tornou-se um hino ativista da causa negra, e fala sobre o assassinato de quatro crianças negras numa igreja de Birmingham em 1963. Casada com um policial nova-iorquino, também sofreu com a violência do marido, que a espancava. Nina Simone morreu na França aos 70 anos, em 21 de abril de 2003. Fonte: Wikipedia, Site Letras.com.br e Site Memorial da Fama.
LUÍSA MAHIN
Nasceu no início do século XIX em Costa da Mina, na África, foi ex-escrava no Brasil e viveu em Salvador, Bahia. Era mãe de Luís Gama e foi alforriada em 1812. Envolveu-se na articulação de todas as revoltas e levantes de escravos que sacudiram a então Província da Bahia nas primeiras décadas do século XIX. Quituteira de profissão, de seu tabuleiro eram distribuídas as mensagens em árabe, através dos meninos que pretensamente com ela adquiriam quitutes. Desse modo, esteve envolvida na Revolta dos Malês (1835) e na Sabinada (1837-1838). Caso o levante dos malês tivesse sido vitorioso, Luísa teria sido reconhecida como Rainha da Bahia. Descoberta, foi perseguida, logrando evadir-se para o Rio de Janeiro onde foi encontrada, detida e, possivelmente, degredada para Angola, na África. Não existe, entretanto, nenhum documento que comprove essa informação. Alguns autores acreditam que ela tenha conseguido fugir, vindo a instalar-se no Maranhão, onde, com a sua influência, desenvolveu-se o chamado tambor de crioula. Fonte: Wikipedia.
ANGELA DAVIS
Angela Yvonne Davis é professora e filósofa americana e nasceu em Birminghan no Alabama, EUA, no dia 26 de janeiro de 1944. Desde cedo conviveu com humilhações de cunho racial em sua cidade. Aos 14 anos participou de um intercâmbio colegial que oferecia bolsas de estudo para estudantes negros sulistas em escolas integradas do norte do país, o que a levou a estudar no Greenwich Village, em Nova Iorque, onde travou conhecimento com o comunismo e o socialismo teórico, sendo recrutada para uma organização comunista de jovens estudantes. Na década de 1960 tornou-se militante do partido e participante ativa dos movimentos negros e feministas que sacudiam a sociedade americana da época, primeiro como filiada da SNCC de Stokely Carmichael e depois de movimentos e organizações políticas como o Black Power e os Panteras Negras. Em 18 de agosto de 1970 tornou-se a terceira mulher a integrar a Lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados do FBI, ao ser acusada de conspiração, sequestro e homicídio, por causa de uma suposta ligação sua com uma tentativa de fuga do tribunal do Palácio de Justiça do Condado de Marin, em São Francisco. Chegou a ser presa em Nova York e julgada, sendo inocentada de todas as acusações e libertada. Em 1980 e 1984, Angela chegou a se candidatar a vice-presidente dos EUA pelo Partido Comunista americano. Nos últimos anos continua a fazer discursos e palestras e continua sua luta pela abolição da pena de morte na Califórnia. Fonte: Wikipedia.



FONTE: http://belezasdekianda.wordpress.com/2012/03/09/elas-fizeram-historia/

Vídeos com Temáticas de Michel Foucoult

NEGRIARA

 Arqueologias
http://cameraweb.ccuec.unicamp.br/video/cw3WDydZcD/

Focault à Luz de Heidegger: Notas sobre o sujeito autônomo e o sujeito constituído. Por:André de Macedo Duarte  

 http://cameraweb.ccuec.unicamp.br/video/cwcZbZZ7W5/
     
As Lutas pela autonomia em Michel Foucault   
Por: Guilherme Castelo Branco

 http://cameraweb.ccuec.unicamp.br/video/cw5ccZ965W/

Transformações do corpo: Controle de si e uso dos prazeres  
 Por: Denise Bernuzzi de

http://cameraweb.ccuec.unicamp.br/video/cwD159a1cz/
 

A dor e o sofrimento em Foucault. Por Sérgio Adorno

http://cameraweb.ccuec.unicamp.br/video/cw6770z1DW/


Em defesa da sociedade. Por Ana Maria O

Libertar a História. Por Margaret Rago

http://cameraweb.ccuec.unicamp.br/video/cwx2Za6WwB/


Os nomes do pai: a edipianização dos sujeitos e a produção histórica das masculinidades.  Por: Durval Muniz de Albuquerque Jr.




REPORTAGEM SOBRE PRESIDIÁRIAS - CRIME PRATICADO POR MULHERES

NEGRIARA



O Profissão Repórter desta terça, 19 de junho, faz um perfil das mulheres que cometem crimes. Veja o programa na íntegra nos vídeos ao lado.

Os repórteres Paula Akemi e Felipe Bentivegna mostram o Centro de Recuperação Feminina , único presídio feminino do Pará , onde 640 detentas dividem o espaço projetado para 500. Tráfico de drogas é o crime mais comum entre as presas. A reportagem mostra a situação de 12 presas grávidas que dividem oito camas no presídio e a desagregação familiar provocada pela prisão da mãe da família.
No fórum central do Rio de Janeiro, as repórteres Danielle França e Valéria Almeida acompanharam três julgamentos de mulheres acusadas de homicídio, furto e roubo. As acusadas são todas pobres e dependem de um defensor público para se defender perante o juíz.
Veja a reportagem sobre a fila no dia de visita em presídios de São Paulo.
Caco Barcellos acompanhou dois casos de homício, crime raramente cometido por mulheres. O de Elize Matsunaga, que mobilizou a polícia e a imprensa de todo o país, e o de Olinda, uma diarista de Capivari , que matou o marido com um facão, caso bem pouco divulgado. Os crimes tem circunstâncias parecidas: as duas mataram o marido por ciúme.

COMENTÁRIOS

Vanessa Giovanna
Eu penso assim,se não tivessem cometido nenhum crime,estariam em casa,e poderiam cuidar de seus filhos,não tenho dó,tenho dó dessas pobres crianças que não pediram para nascer,muito menos para suas mães cometerem o crime. 
Janete Muller 
Querido Caco Barcelos, estou certa de que a maioria das pessoas que assistiram o programa ontem ficaram se perguntando sobre o seu objetivo real. Caso tenha sido para revoltar o público: sucesso atingido. Mas e agora ? Qual é o plano ?? Será que se agirmos de dentro para fora, ou seja, cada um em sua família toma as ações e começa a conscientização no seu entorno basta ?, já que do macro ao micro (governo x povo) existe somente cegueira e intolerância ??? Meu coração de mãe chora por todos os abandonados !
Karina Pasquetto
Gosto muito desse programa, mas aqui vai uma crítica construtiva, pois no programa exibido ontem (19/06) na reportagem sobre o CFR de Belém - PA, vocês informam que 60% das mulheres estão presas pelo tráfico, mas citam que é o artigo 33 do Código Penal, só que o tráfico é regido por Lei Especial, então o correto é artigo 33 da Lei nº 11.343/2006.
Marcelo C
Quantas mulheres chorosas aqui! As presas coitadinhas deveriam ter pesquisado sobre as condições das cadeias antes de fazerem as erdas... De fato, as leis são cheias de furos e tudo depende da qualidade dos advogados que se tem. Diante disso, a pobraiada deveria parar de cometer tantos crimes, já que sabem que vão pra cadeia mais facilmente que qualquer outro... Tenho a impressão que se a tuta que picotou o japa tivesse grávida, a mulherada ia absolve-la sem problemas..
Iandara Batista  
Absurdo...extremo absurdo. E ao invés de a tal juíza orientá-la a uma busca por melhores condições, ficou maldizendo a moça. Triste realidade! Sangrenta realidade brasileira!
Iandara Batista
Imagino que não foram poucas nem leves as condições que levaram essas mulheres a cometer esses crimes. Admiro o trabalho da rede Globo em divulgar isto, mas me enojo ao ver tais reportagens, sem saber se quem as anuncia não se pronunciará em contribuir para a mudança dessa tragica realidade!Fui as lágrimas no último caso, a moça analfabeta, sem condições de responder as perguntas pronunciadas por aquela nojenta juíza, sendo pressionada, grávida, e sendo encarcerada por FURTO!! 
 Vanessa Henriques
 A juíza disse que se todos os menos favorecidos quiserem tomar os bens dos mais favorecidos, a situação viraria uma anarquia. Não é muito fácil dizer isso quando se pertence ao segundo grupo? A pobre coitada que foi condenada deve ter nascido numa condição de vida lastimável, sem nenhum incentivo ao estudo e ainda com necessidades mais latentes a serem resolvidas. Todos que não fazem nada para inverter esta lógica são cúmplices desse grande crime que é desigualdade social. A reportagem de hoje expôs de forma brutal o que acontece todos os dias e que poucos se dispõem a tentar resolver.

Iara Viana Vespasiano, MG
Sensacional a matéria!!!! Fica claro a forma diferenciada que a justiça trata a questão criminal feminina e ao mesmo tempo o quanto tem aumentado e diferenciado suas práticas criminais e tanto a mídia quanto a justiça insiste na figura feminina de forma frágil e fraca. Mas sabemos que o cenário atual é outro sua atuação criminal pode ser tão perversa quanto a masculina. Tratá-la diferente apenas viabiliza ainda mais sua atuação no entrelaçamento do tráfico, roubo e outros crimes o que reproduz a subalternidade feminina.

BIBI PERIGOSA - vale a pena ler



NEGRIARA
Sou como a natureza: forte como um furacão, suave como uma brisa. Praticamente bipolar... ; Sou como uma Rosa: sensível, cheirosa, preciso de cuidados, mas posso arrancar sangue.
É muito estranho quando me lembro que fui embora  achando com toda certeza do mundo que conseguiríamos fugir pra sempre. Naquele momento eu não estava pensando em mais nada,somente em conseguir viver em paz. Nem eu, nem o meu marido e nem as crianças estávamos mais aguentando viver daquele jeito. Quando saímos do sitio,  ficamos de cidade em cidade rodando tentando fazer contato com alguém do Rio de Janeiro, para saber se a policia já sabia da existência do sítio. Tivemos algumas informações truncadas e sem muitos detalhes. Com isso decidimos voltar ao sitio, pegar a nossa cadelinha pequena, deixar as outras duas que eram grandes com um caseiro, e despachar a nossa mudança. Nessa hora tivemos que acionar duas pessoas que simplesmente são como meus anjos da guarda. Sabe aquelas pessoas que ficam longe, mas você sabe que pode contar SEMPRE, sem pré requisitos.
"A minha tia Jussara que mora em São Paulo, que além de confiança extrema, não estaria no RJ, na mira da policia e a minha prima/irmã Bete que mora no Rio de Janeiro, mas em Araruama, por isso também não estava sendo monitorada pela policia. Porra, as duas se levantaram da cama no nosso primeiro sinal de pedido de ajuda. Chegaram lá em menos de 5 horas pra nós ajudar a encaixotar tudo."
 
Nessas alturas eu e ele não podíamos contar mais com ninguém do da minha família. Os policiais estavam em cima, tentando descobrir nosso paradeiro. Até em festas eles iam, disfarçados de garçons, flanelinha etc . Vocês sabem oque duas pessoas se levantarem de cama pra ajudar outra sem pestanejar. Foram elas. Tinha que ser muito rápido tudo. Pior que estava chovendo e o carro estava derrapando na subida do sítio. Sabe a lei de Murphy... Foi uma correria e o carro escorregando na lama, o caminhão que arrumamos não subia também. Aí botamos as coisas em cima do teto do carro, compramos um guia de estradas 4 rodas, pegamos a cachorra e as crianças e partimos pra Maceió. Fomos pela Fernão Dias que era mais próxima de onde estávamos. Pior de tudo era esconder a Pinga quando parávamos pra dormir. (kkkkkkkk) Em um hotel em Santa Rita de Cassia, ainda em MG, passamos maior vergonha. Alias o Saulo passou porque eu vi de longe e já dei meia volta pra não ficar de cara grande.
A gente tinha que entrar no hotel com a cachorra escondida, porque lá não era permitido. Aí o Saulo teve a ideia de colocar ela dentro de uma mala (kkkkkkkkk). Nisso que ele esta indo na direção do saguão do hotel o funcionaio veio pra ajudar. Dali eu já diminui o passo(kkkkkkkkkkkk). Aí o meu marido falou que não precisava pra se livrar do cara, mas ele insistiu. Quando ele botou a mão no carrinho e deu dois passos, a Pinga(Cachorra) conseguiu, sabe lá Deus como, abrir o zíper da mala e botou a cabeça pra fora com a cara de mais alegre do mundo. (kkkkkkkkkkkkk) Eu vi de longe, parei e fiquei de lá rindo muito. 
Aí o homem olhou indignado e falou: Senhor não é permitido animais aqui.
O Saulo olhou pra ela, botou a mão na cintura  e falou: Poxa Pinga! Você estragou tudo!  Estávamos quase conseguindo! (kkkkkkkkkkkkk) 
Todo sem graça, deu meia volta pra ir embora. Aquilo fez a gente ir dando gargalhada até Maceió.
Foi uma viagem tranquila. Parávamos só pra almoçar e depois por volta de 20 horas pra dormir. Assim fomos de uma vez só. As crianças até que foram bem legais, foram pacientes, porém foram brigando pra segurar a cachorra até lá. Eu tinha que ficar com um relógio marcando 15 minutos pra cada um. Porra tinha hora que dava vontade de parar o carro e enfiar a porrada em geral. Nem a coitada da Pinga estava mais aguentando aquele estica e puxa.
Muitas horas eles dormiam e ficava todo mundo em silencio no carro. Sabe quando eu acho que cada um ficava fazendo uma reflexão do que estava acontecendo. 
Eu estava firme, certa que daria tudo certo, afinal fui eu que preparei tudo em Maceió, pra nossa partida. Mas tinha algo que não saia do meu coração. Eu olhava pro Saulo e as vezes me batia aquela depressão, como se eu não reconhecesse mais ele, sei lá, uma coisa estranha. Tinha horas que tocava musicas no carro, que me faziam lembrar de toda aquela briga que não tinha sido esclarecida e eu olhava ele cantando, e parecia que tinha um diabinho o tempo todo martelando na minha mente aquela historia toda.

Ainda em Pouso Alegre, paramos pra tirar foto pro novos documentos e discutirmos qual seriam os novos nomes.
O fato mais inusitado, além, de estar sentados num bar escolhendo nosso nome novo foi a minha filha que chorou por horas porque queria porque queria que o nome dela mudasse pra Fernanda Vasconcellos. E eu explicando que não podia, que ela seria Dalila mesmo, e ela chorando e falando: Eu quero que meu nome seja Fernanda Vasconcellos! 
Imaginem a cena... A gente ali a mesa do bar com um papel fazendo nossa arvore genealogica falsa.  Por isso que eu sempre falo que meus filhos tem uma indole muito boa mesmo, por que com experiencias como essa na vida...
Dali seguimos viagem naquele clima de cada quilometro mais longe, mais seguro estavamos. Foi cansativa a viagem, porém tranquila. Como levamos um ipod, tinha muita musica pra cantar na viagem, mas uma que eu cantava  e tentava a cada centímetro percorrido, me desligar de tudo de ruim que tinha acontecido. Essa aqui: Sonda-me, usa-me Senhor - Aline Barros

Eu só buscava força pra esquecer tudo que o meu marido tinha me feito. Buscava força pra recomeçar do zero. Eu estava muito triste pela minha família que eu tinha certeza que não os veria mais. Naquele momento eu estava tão cheia de esperança, que não existia lugar pra mais nenhum sentimento. Eu cantei muito na viagem e fui lembrado de tudo que tinha passado na nossa vida até aquele momento. E voltando a ter um contato com Deus nos meus pensamentos, pedindo muito a ele que protegesse a gente e nos ajudasse a conseguir. No fundo, contudo que aconteceu, acho que Deus esteve por perto, posteriormente,   evitando um tragedia. Mas isso eu vou contar mais pra frente...
A nossa mudança tambem estava indo em direção a Maceió e tinhamos que correr pra chegar lá junto com o caminhão que mandamos.
Minha mudança já rodou esse mundo. Quando saí do Rio de Janeiro, arrumei um deposito em Taubaté, São Paulo, deixei lá por 2 meses pra despistar a policia. Depois mandei pro sítio em Minas Gerais  e agora estava enviando pra Maceió, Alagoas.
Foi muita ingenuidade nossa achar que conseguiríamos. Mas enfim...
Foi uma viagem tranquila com algumas curiosidades. Uma delas foi quando nós paramos num posto de gasolina e fomos a lanchonete. Logico a gente super agradável com todo mundo pra parecer super gente boa. Não tinha quem não olhava pra gente por causa do sotaque de carioca. Um homem se aproximou e pedia se a gente poderia levar uma encomenda até a próxima cidade e entregar até um posto de gasolina.
Puta que pariu! A gente no desespero de disfarçar e tentar passar despercebido, fazíamos tudo pra agradar todo mundo. Aquela caixa conseguiu tirar a nossa paz, porque depois que saímos dali, bateu um medo daquilo ser droga (kkkkkkkkkkkk). Seria o cúmulo da falta de sorte a policia parar a gente e achar uma caixa cheia de drogas né...
Sabe o que é ir um silencio no carro, um medo de encontrar a Policia Rodoviária Federal. A gente só respirou aliviado depois que entregamos a caixa no tal posto de gasolina.
Nossa como a estrada parecia não tinha fim. Na Bahia, aqueles eucaliptos que não tinha mais fim. Teve um hotel popular que o meu marido botou o pacote com nossos 100 mil em baixo do travesseiro, com medo de ser assaltado. Na verdade aquele dia eu dormi com um olho aberto e outro fechado. De manha rapamos fora rapidinho por medo.
Seguimos bem a viagem até chegar em Aracaju. Nos perdemos lá e fomos parar num lugar que o acesso era uma ponte, cuja policia ficava bem no meio fazendo Blits. Foi um terror. Meu coração nem batia direito. Na verdade hoje vejo que era um medo desnecessário, mas na hora nosso sotaque chamava muita atenção e despertava a curiosidade das pessoas em saber porque estávamos deixando o Rio de Janeiro.
 Nossa quando nós vimos a blits montada na nossa frente o Saulo abriu todos a janelas do carro deu grito pras crianças levantarem rápido. Sabe aquela família de comercial de manteiga (kkkkk), até a cachorra  ficou com a língua pa fora fazendo gracinha pros policiais. Pior que nós erramos o caminho e tivemos que passar por eles 2 vezes. Mas deu tudo certo, passamos sem grades problemas.
Quando chegamos a Maceió, senti um alivio imediato por chegarmos bem, e por estar em casa. Nessas alturas, depois de tantas indas e vindas a Alagoas, eu já me sentia realmente em casa. Quando chegamos lá, o caminhão tinha acabado de chegar também. As crianças entraram a casa numa alegria, foi muito bom. Parecia que tínhamos voltado lá em 2005, quando tínhamos nos mudado pra Tijuca. Lá não conseguimos morar em paz nem 24 horas. Dessa vez parecia que daria certo.
Foi engraçado que quando despachamos a mudança, meu marido deu um dinheiro a mais pro homem do caminhão tratar as coisas com amor. Pois é... O violão das crianças chegou lá partido em 3 pedaços...
Quando chegamos em Maceió, foi bom porque a policia civil estava em greve e isso nos passava uma certa tranquilidade. Nosso medo ali não era com bandidos e sim com a policia. Eu estranhei muito que em TODAS as casas de Maceió tinha cercas elétricas. Eu não estava acostumada com isso. Eu até na época que comprei a casa perguntei pro meu amigo taxista Antonio, porque era assim. Pensei: Aí aí... Essas cercas não estão aí atoa...
Realmente lá acorriam muitos assaltos a residencias e a comercio. Muito mesmo!
Depois que arrumamos tudo, partimos pra outra casa que ficava em Maragogi. Aquela que eu falei, que era mais humilde, só que no paraíso. Lembro que quando chegamos lá, atravessamos a rua e estávamos numa praia praticamente deserta. Caminhamos pela praia, eu, o Saulo, as crianças e a cachorra. Me lembro que ele estava muito emocionado e ficou falando o tempo todo que parecia um sonho. O céu com muitas estrelas, aquela calmaria, um paraíso mesmo.







Naquele momento estávamos com meio caminho andado. Já tínhamos uma casa em Maceió, uma casa de vereio, um carro (Astra 1999) velho, porém, confortável, nossa casa estava mobiliada, só faltava mesmo abrir a nossa loja, pois minha mãe quando arrumou minha mudança, desmontou minha loja de essências e material pra artesanato que tinha na Rocinha e mandou junto.
Eu lembro que na ultima vez que tinha estado em Maceió, ainda sozinha, deixei 7.000 reais no armário. Na época pensei: Ah sobrou esse dinheiro da compra da casa, vou levar pro Rio de Janeiro pra que...
Nossa, foi uma emoção achar aquele dinheiro mofado no guarda roupa. Fizemos varias coisas na casa com essa graninha.
 

Passamos uns dias lá e depois retornamos pra Maceió pra então dar continuidade a nossa vida. Quando chegamos lá começamos a procurar um loja pra alugar. Rodamos o Jacintinho todo e não achamos. Lá parecia até a Rocinha, lojinhas pra tudo que era lado, barracas de tudo que era coisa, muita gente pra lá e pra cá, bairro popular mesmo.
Aí por sorte de Deus achamos uma loja próxima a nossa casa. Nós alugamos e sozinhos arrumamos a loja toda.




Todas ali estavam vendo que a gente era uma família normal, que trabalhava, cuidava dos filhos e tal. A unica coisa que ainda faltava era as crianças numa escola. Tadinha da minha filha... Ela amava ir pra escola e foi arrancada duas vezes em menos de 4 meses. A bichinha não tinha documentos e eu não podia usar o verdadeiro. Esse, aliás, foi escondido e esquecido. Ela pegava as paginas amarelas e ficava marcando tudo que era curso pra eu matricular ela. Até curso de japonês ela estava aceitando.



Nossa lojinha estava bem arrumadinha, a gente se revesava lá e assim estava tudo indo bem.
Se existe uma coisa que arregaça nossa casa é criança. Não tinha como nos mantermos em discressão, pois eles queriam brincar, precisavam se relacionar com outras crianças. Ai resolvemos comprar um Mini Bugre pra eles. Eu até falei pro Saulo que se a gente não comprasse naquele momento, nunca mais a gente poderia e também depois que eles crescessem não teria mais valor. Pra falar a verdade a minha infância inteira passei pintando a porra dos gibis e mandando pra concorrer a um mini bugre. Logico fiquei só no sonho mesmo... Nunca ganhei nem um certificado por participar dos concursos. Sacanagem isso gente! Sempre quis um... Tadinha de mim.


Foi uma festa quando o reboque chegou. Eles passaram o dia na rua andando e assim aglomerou logo de crianças e rapidinhos eles estavam já enturmados como se fossem nascidos e criados ali.
Nessa eu incentivei o Saulo a operar a vista também. Ele tinha um problema lá que fazia com que ele não enxergasse nada, se não estivesse de óculos ou lente. Ele então tomou coragem e fez. Coitado sentiu muita dor nos olhos e eu de "enfermeira" pigando um colírio que ele dizia que ardia MUITO. Mas a recuperação foi boa .
Nesse momento estavam felizes, tudo parecia estar se encaminhando. Mas o inimigo estava pronto pra atacar e destruir tudo e ele sabia bem por onde começar a trabalhar. 
Derrepente o Saulo começou a mudar e me parecer aquele que eu convivia no morro. Não sei como explicar, mas eu sentia na áurea dele a mesma coisa que eu setia quando ele estava no poder, no morro.
Sentir isso me reportava ao inferno, automaticamente. Ele agia com um jeito que parecia que tinha o proposito de me enlouquecer de verdade. Hora ele parecia me amar, parecia estar feliz e hora ele era frio, sem amor. Toda a sensibilidade que eu havia ficado na Rocinha estava voltando. Mas dessa vez eu estava sozinha mesmo, não tinha quem me salvasse. As vezes eu me apegava à ideia que ele estava mais um vez passando por um momento difícil, de mudanças, de medo, de duvidas, que pra ele como homem daquela familia também era difícil e logo eu compreendia ele. Ele teve que fazer contato com uma pessoa do morro por causa dos documentos, alias, essa pessoa sabia exatamente onde estávamos, e esse repassava as noticias sobre nossa família do Rio de Janeiro pra gente.
Foi uma época muito difícil pra mim, meu pai foi pra UTI e o médico desenganou ele, minha mãe estava em pânico, pois a policia estava na porta dela esperando qualquer contato e ela tinha pavor de alguém pegar meu sobrinho de refém pra exigir que o Saulo se entregasse. A esposa do irmão do Saulo havia sido expulsa de onde morava e o irmão dele foi ameaçado de morte pelo Comando Vermelho a cadeia. Enfim, um caos estava acontecendo no Rio de Janeiro. E a gente nada podia fazer. NADA! 
Tinhas que permanecer em silencio total pra não ser rastreado. Mas acredito eu que ele aproveitou esse contato dele com a Rocinha e falou com mulheres também pelo msn. Na verdade o que TODOS falam que eu fazia, quem fazia era ele. Eu não falava com NINGUÉM pela internet. Meus filhos não falavam com NINGUÉM pela internet, mas ele falava com muita gente do morro pelo MSN. Ele ia pra lan house e nunca deixava eu ir junto. Isso começou a geral brigas e mais brigas, por que eu já estava achando que ele estava com alguma conversa que eu não poderia ver. Mas como ele poderia ter segredo comigo? Eu e meus filhos ali nas mãos dele em prol dele e ele agindo pelos cantos.
Ele começou a viajar, hora pra resolver questões de documentos e hora pra fazer compras pra loja. Cada vez que ele ia pro aeroporto meu coração nem batia direito de tanto medo. Eu não ficava tranquila enquanto ele não voltava. Ele falou que tínhamos que investir nosso ultimo dinheiro em mercadorias pra que não gastar com besteira. E eu concordei com isso. Assim ele viajou umas 4 vezes.  Mas em meio essas viagem eu estava tão insegura, tão sensível como mulher, que eu comecei a entrar numa depressão e no fundo eu estava sentindo que ele estava mesmo voltando a incorporar o Robinho Pinga, desatento, impaciente etc. Ele foi muito cruel comigo naquela época. Eu me levantava de madrugada pra chorar por causa do meu pai, porque sabia que ele morreria e eu não poderia vê-lo nunca mais. Ele se quer se mexia na cama pra me acolher. Agia uma frieza sem tamanho. Eu sempre ali como um cão fiel, querendo ele o tempo todo e ele chegou ao ponto de me falar que se incomodava com o meu assedio, que ele não gostava que eu ficasse querendo ele. GENTE! Pelo amor de Deus isso não é pra deixar qualquer um LOUCO. Ele falava isso, e horas depois transava loucamente comigo. Depois passava dias sem nem olhar pra minha cara com muita frieza. Cada vez que ele sumia pra ir a lan house eu entrava num estado de depressão terrível. Meu orkut, na época era controlado pelo meu sobrinho, mas muita gente pensava que eu anda mexia nele. Eu olhava tudo na internet como um anonimo qualquer, não podia de jeito nenhum ter qualquer ligação comigo ou com onde estávamos. Meu filho chorava olhado os orkuts dos amigos, sem poder fazer qualquer contato. Ele com essa coisa de ficar as escondidas fazendo contato com o morro, desencadeou uma revolta nacional lá em casa. Era injusto a gente ali, totalmente incomunicável e ele mesmo que era o maior interessado de papinho gostoso pelo MSN e orkut.
Pra piorar tudo, as mulheres que ele trepou no morro resolveram aproveitar a nossa ausência pra fazer gracinhas no orkut, divulgar mesmo que eram namoradas dele. INCLUSIVE aquela mesma que já vinha infernizando a nossa vida. 
Porraaaaaa quando eu vi isso! Veio tudo a tona de novo. E ele me tratando com tanta frieza, como se eu fosse uma escrava espiritual dele. E realmente eu estava exatamente assim. Eu me rebaixando a todas as vontades dele como uma escrava. Ele hora me rejeitava, hora me usava. Eu sofri muito nessa época, me sentia abandonada até por Deus.
Até que um dia no meio de uma discussão eu botei ele na parede pra ele tirar de vez aquela mágoa do meu coração, pra ele me falar se ele tinha me traído mesmo. E foi aí que ele me destruiu como mulher numa só palavra. Sim... Eu te trai!
Caralho... Parecia que eu estava sendo rasgada por inteiro. Uma dor que foi maior que qualquer sentimento aquele momento. Eu não conseguia me levantar do lugar. Ele falou isso muito seguro, ele sabia que eu estava nas mãos dele. Nossa, parecia que todo o oxigênio da Terra tinha acabado e eu o meu coração estava sendo espremido. A visão que eu tinha era ele sentado na minha frente me falando na maior tranquilidade que me traiu, sim, com varias mulheres. Alem dele me jogar num buraco escuro ele ainda jogou uns sacos de areia em cima quando me falou que queria que eu e as crianças voltássemos pro Rio de Janeiro que ele iria seguir sozinho por que o amor tinha acabado. 
O amor dele tinha a-c-a-b-a-d-o.
Imaginem, eu fiquei do lado desse homem quando TODOS viraram as costas, enfrentei bandido, repórter, policia, abandonei o lugar que eu nasci e fui criada, enfrentei medo, solidão, inveja, cobiça, tristeza e me mantive ali num único proposito, proteger ele. Coloquei meus filhos em risco, destruí mais a infância das crianças, cometi crimes, estava sendo perseguida pela policia que me enxergava como uma debochada e esse homem me fala com a maior naturalidade assim mesmo: Eu quero que vocês voltem pro Rio.
Porra foi como ganhar um tiro na cara de fogo amigo... Eu aos prantos perguntando porque? Porque? E ele só me falava assim: Acabou o amor.
Eu pensei: Meu Deus que castigo é esse? Como que eu vou voltar pro Rio com a policia toda na sede de pega-lo? Eles vão me arrastar em praça publica quando eu desembarcar e vão arrancar meu figado querendo saber onde ele esteve e onde ele esta. Toda a ira da sociedade cairia sobre mim se eu voltasse com meus filhos. 
Eu só consegui ter uma reação... Me levantei em silencio e fui ao banheiro tentar dar fim a toda aquela dor que eu estava sentindo. Peguei uma caixa de remédios tarja preta que tinha lá e engoli tudo. Mas ele desceu do imenso pedestal que estava e percebeu que tinha algo errado e arrombou o banheiro e já foi enfiando o dedo na minha garganta e fez eu vomitar ate não aguentar mais.
Foi um dia terrível pra mim. Eu cheguei no meu limite, no famoso fundo do poço.
Ele com aquela alternância de comportamento, me trouxe do banheiro e quis namorar comigo. GENTE por favor, me digam se eu que sou a louca dessa historia. Ele quase me matou de tristeza e minutos depois fez amor comigo. Aquilo parecia um plano diabólico pra me destruir, me enlouquecer ou coisa parecida. Ele no meio daquela crise, simplesmente fez uma tatuagem com meu nome no braço. Eu não entendia como ele podia ser tão confuso nos pensamentos dele e aquilo me deixava mais pirada.



As crianças coitadinhas, viram que estava acontecendo algo de errado. Meu filho me viu de definhando de tristeza e me falou que até hoje eu me lembro: Mãe vamos embora, ele não quer mais a gente! 
A minha filha começou a ir pra igreja e fez de tudo pra gente ir no encontro de casais. Definitivamente tinha algo de muito ruim ali, tentando acabar com a gente de verdade. Nos fomos na igreja e eu olhava ele ali me beijando, mas sabe quando você sente que a pessoa parece fingir. Eu não aguentei quando a pastora começou a falar sai correndo aos prantos. Correndo mesmo!
Nessa época, em um dos dias de crise do Saulo, ele me levou a praia pra mais uma vez me falar que não me amava mais. E quando voltamos pra casa, infelizmente a cachorra do meu filho ficou pro lado de fora do portão. Foi outra perda irreparável. Perdemos a luna... Até hoje eu não aceito isso. Nós botamos fotos, telefone, as pessoas ligavam falado que tinham achado, as crianças festejavam, mas na hora não era ela. Era uma tristeza sem fim quando voltávamos pra casa sem ela. Tadinho do Celso, chorava muito quando iamos, muitas vezes dentro de favelas e chagava lá era trote, ou não era ela que estava la.
Eu fiquei alguns dias totalmente doente. Não conseguia me levantar pra nada, fui parar em hospital etc.
Ele começou a cuidar de mim, me dava comida na boca e tudo e aos poucos foi diminuindo a intensidade da dor. Ele me levou num show do Sorriso Maroto, que aconteceu lá. Foi bom pra dar uma injeção de animo. Mas olha por incrível que pareça, eles chegaram lá com uma musica que parecia que tinha sido feita pra mim.
Quando eu consegui entender o que eles estavam cantando, meu astral mudou na hora. Eu continuei sorrindo, porém sangrando por dentro. Parecia ele cantado pra mim aquilo, por que o meu marido estava em suaves prestações me perdendo mesmo. Mas apesar de eu achar que Deus não estava mais por ali, ele estava sim. E mais forte que nunca porque só ele conseguiu evitar o pior.
Letra:
Choro toda vez
Que entro em nosso quarto toda vez
Que olho no espelho toda vez
Que vejo o seu retrato
Eu não tô legal
Não vai ser fácil de recuperar
A vontade de viver
Tô sem astral
por falta de você
Pior que nada que eu faça
Vai mudar sua decisão, de separação
Eu reconheço os seus motivos
Ta coberta de razão
Pra você, caso de traição não tem perdão
Sei que é tarde pra me arrepender
Inconsequente, fraco
Eu traí você
Sabemos bem quem vai sofrer
Hoje só Deus sabe a minha dor
Eu tive que perder pra dar valor
Não serei o mesmo sem o teu amor!
 Apesar de estar muito sensível, o pior já havia passado e tudo muito lentamente começou a voltar ao normal. Nós ainda dentro de tudo, ainda tentávamos levar a vida. Apesar das crianças estarem no meio dessa historia toda, ainda guardavam uma ingenuidade e isso fazia com que algumas horas esquecêssemos de tudo que estávamos passando.
Ele sempre se comunicava com a pessoa que era a ponte entre a gente e as informações sobre as nossas famílias. Quando recebemos a noticia que o medico do meu pai havia liberado ele pra passar o natal e ano novo em casa porque o fim dele estaria próximo. Pronto, eu fiquei arrasada com aquilo, mas voltar nem pensar.

Foi quando decidimos fazer um vídeo pra mandar pra nossas famílias, pois todos estavam muito tristes sem noticias nossas. Ele até que disfarçou bem que estava tudo mil maravilhas, mas eu, nessas alturas, parecia berrar por dentro e por fora, por ajuda. 
Foi pouco o tempo que tivemos daí pra frente. Ele sempre agia daquela forma que me fazia mal cada vez mais. Tudo de ruim vinha a tona quando ele me tratava daquele jeito. Eu me sentia feia, me sentia menos que qualquer mulher do planeta. As vezes eu ia pra loja e ficava la sozinha, chorando.
Um dia meu filho virou pra mim e falou assim: Mãe, se quando eu estiver na 8ª serie, descobrirem meu nome verdadeiro. Eu terei que voltar pra 4ª serie? E o dia que eu tiver um filho, ele também vai ter nome falso?
Caralho! Foi como um tiro. Eu não sabia o que responder pra ele. 

Eu fiquei com aquilo na mente e cada vez que o meu marido agia de forma estranha, como se quisesse se livrar da gente, aquilo vinha na minha mente. Uma coisa muito ruim foi tomando o meu coração e eu já comecei a enlouquecer de verdade. Comecei a ver um caixão quando olhava pro meu marido. Eu fui tomada por uma coisa que realmente era alimentada do sentimento ruim que ele me fez sentir. Eu comecei a pesquisar como matar ele. Eu já estava conseguindo disfarçar, simular sorrisos, uma coisa diabólica mesmo. Ai cheguei a conclusão que veneno seria terrível por que ele sofreria muito de dor e não morreria rápido.
Aí pensei assim: Ahh porra! Eu estou em Maceió, lugar mais fácil de achar um matador do planeta.
Ai comecei a montar tudo na minha cabeça, onde ele morreria, e como eu teria que fazer porque afinal ele estava com um documento falso. Cade vez que ele sumia pra ir a lan house e me tratava com frieza eu sentia uma coisa muito ruim.
Cada vez que ele falava que queria que a gente fosse embora pro Rio de Janeiro o diabo soltava fogos. Agora ele tinha desabrochado tudo de ruim que existia. Minha vontade era chegar no Rio de Janeiro e jogar o caixão e falar: Aí o que vocês estão procurando! Acabou! Mas aí Deus começou a trabalhar com 220 volts mesmo. Deus confundiu a minha cabeça e atrasou meus planos, porque quando eu ia procurar alguém pra fazer o serviço, me veio as crianças na cabeça. Não saia da minha mente eles ajoelhados lá em Minas orando pro pai chegar com vida. E ali eu cai de novo numa tristeza por que já não tinha certeza se eu suportaria ve-lo morto. Se eu suportaria, ver as crianças olhando ele caído no chão com um tiro na cabeça. Todos esses pensamentos me confundiram e retardaram meus planos. Ele queria me mandar, queria ir comprar passagem, ai decidimos então passar o ultimo final de semana em Maragogi pra uma especie de despedida. Seria o tempo que eu precisava pra ter certeza que eu conseguiria viver sem ele. Parecia mesmo que tudo estava a favor do desgraçado. O pneu do carro furou, a gente mal tinha dinheiro, mas mesmo assim fomos. E foi um final de semana maravilhoso. Eu esqueci completamente de tudo de ruim que estava na minha cabeça. INCRÍVEL o poder do amor, gente. Pois naquele final de semana ele agiu como o homem que eu tinha me casado em 1995 e fez todo amor voltar com mais força pra lutar por ele. Puta que pariu, era Deus mesmo, me preparando pra mais uma burduada. Nós passeamos nas piscinas naturais, de madrugada fugimos das crianças com uma garrafa de vinho e fomos namorar na praia. Ali ele posteriormente falou que havia desistido de me mandar embora e eu desistido de mata-lo. Estava selada a paz. O amor que eu sentia por ele e o que ele dizia sentir por mim voltou, não atoa, mas sim pra dar suporte pra tudo que estaria por um fio de cabelo pra acontecer e nem eu nem ele imaginávamos. Mas como ele mesmo disse 1 dia do vendaval na nossa vida: "Bibi aconteça o que acontecer, eu sempre vou te amar." Parecia que eles estava pressentindo também.

Alias, por incrível que pareça no sábado a tarde, estávamos na praia, eu ele e o caseiro do condomínio, quando um homem chegou do nada e parou olhando o mar. Eu olhei pra ele e ele me olhou bem nos olhos. Eu senti que ele era do Rio de Janeiro. Não sei porque, mas eu senti. Em questões de segundos ele sumiu. Aí nem dei importância.
A noite acabou nesse clima de amor. Assim que acordamos e tomamos café, não passou 1 hora, um homem chamou ele na porta da casa e em segundos, nosso sonho estava chegando ao fim... Era a Policia Civil do Rio de Janeiro. 
Eu estava deitada no sofá e levei um susto tão grande porque eles já entraram com ele algemado e botaram ele setado no chão. Eu dei um pulo do sofá  e as crianças começaram a chorar sem parar, tentando chegar perto dele. Até o delegado ficou com pena e tirou a algema e mandou ele acalmar o Celso e a Dalila. Eu não conseguia parar de chorar desolada... Eles ligaram na hora pro Rio comemorando... É muito ruim estar sofrendo enquanto alguém comemora, mas quem se envolve no crime tem que estar preparado pra isso, e nós perdemos tanto tempo com brigas internas que esquecemos que nossos inimigos eram outros. Demoramos demais pra agir e o registro da casa estava no meu CPF. Lembram quando eu falei que havia comprado em 2006 e não tinha ninguém pra botar no nome. Nós iriamos exatamente naquela semana passar pro nome falso dele, mas não deu tempo.
Na hora de ir embora, foi muito ruim ver ele naquele carro já algemado, indo, saindo de perto de mim. Agora eu já não poderia mais fazer nada pra protege-lo.
A ultima coisa que ele me falou entre os beijos que eles permitiram que ele me desse foi: Bibi, vai em casa, pega as coisas e vai pro Rio de Janeiro agora.
O delegado me orientou a não ir pro aeroporto de Recife, pois tinha muita imprensa lá. Eu obedeci e sai por maceió mesmo. E pior, eu ainda tinha uma missão, não deixar eles saberem que a minha casa era em Maceió. Eles acharam que era na Paraíba. Eu fiquei com muito medo da policia descobrir, pois tudo lá era no nome falso.
Quando eles viraram a esquina, eu me desculpei com o caseiro, por ter mentido pra ele tanto tempo, e ele, Everaldo, morador de São Bento, foi simplesmente piedoso comigo e falou que eu não me preocupasse que ele não estava com raiva não. 
Olhei aquela casa, vi ali meus sonhos todos serem levados  como uma onda que vem e leva tudo pro mar. Peguei as crianças e parti pra uma viagem de 2 horas de carro. Corri muito pois queria sair antes que passasse na Televisão. Quando entrei em casa entrei no meu antigo MSN e pedi que um grande amigo/ irmão, o Mirim. Esse meu amigo morava lá na Vila dos Pinheiros e na hora só pensei nele mesmo. Pedi que ele fosse correndo pra Rocinha e pedir pro Nem mandar um advogado pro aeroporto que o Saulo tinha acabado de ser preso.
Aí ele falou que não tinha dinheiro pra ir rápido, eu falei: Pega um moto táxi e chega lá pede pra algum bandido pragar, Mas vai AGORA!
Daí quando vi a cara do Saulo já estava nos sites do Nordeste. Foi um corre corre. Eu tinha muito medo da policia de Alagoas. Corri muito pra sair logo de casa.
Mas tinha um problema, nós não tínhamos dinheiro e eu não poderia deixar o carro jogado no aeroporto.Aí as crianças lembraram que tinha 50 reais no cofre de porquinho. Mandei eles pegarem o que mais gostavam e saímos vuando pro aeroporto. Mais uma vez eu tive que abandonar minhas coisas. Eu sempre me despedia de tudo porque sabia que muita delas eu jamais reaveria. Mas o dinheiro que tinha na conta era exatamente o valor de 3 passagens. Eu não tinha mais nada. Tivemos que esperar mais de 8 horas no aeroporto, com sede e fome. As crianças chorando querendo comer, e eu tendo que me manter calma, acalmando eles, que já já iriamos comer no avião.
Assim me despedi de Maceió e deixei todo o meu sonho pra trás. Ao sobrevoar o Rio de Janeiro, eu não conseguia sentir emoção de nada. Estava destroçada. 
Meu primo Beto, que eu tenho verdadeira paixão, que foi no aeroporto me buscar. Ele sempre esteve firme ao meu lado. Desde o primeiro dia que o Saulo havia sido preso em 2005.



Ele que me ajudou com a minha mudança na Tijuca, ele que me acompanhava na Rocinha no inicio que eu tinha medo, ele que me fez companhia, alias ele e a esposa dele, a Renata, que é como um irmã pra mim.


Pois é lá estava eu de volta desembarcando no Rio de Janeiro, com uma muda de roupa e um coração ferido no peito. Lá estava eu ali respirando fundo novamente, pra encarar a longa jornada que estava por vir. Eu totalmente sem definição de nada na vida só sabia que eu tinha novamente, dois filhos e um marido preso pra cuidar...

Material retirado do blog: 
http://bibi-perigosa.blogspot.com.br/2012/05/trafico-de-drogasilusoes-e-realidades_19.html
 
Apenas para fins de pesquisa, não cabe aqui qualquer tipo de julgamento ou preferência.









HISTÓRIA DE TODAS NÓS - Comportamento

NEGRIARA


Por Rafael Menezes

Eu sou o avesso do que o Sr. sonhou para o seu filho. Eu sou a sua filha amada pelo avesso. A minha embalagem é de pedra mas meu avesso é de gesso. Toda vez que a pedra bate no gesso, me corta toda por dentro. Eu mesma me corto por dentro, só eu posso, só eu faço. Na carne externa quem me corta é o mesmo que admira esse meu avesso pelo lado de fora. Eu sou a subversão sublime de mim mesma. Sou o que derrama, o que transborda da mulher. Só que essa mulher sou eu, sou o que excede dela.

Ou seja, eu sou ela com um plus, com um bônus. Sou a mulher que tem força de homem, que tem o coração trabalhado no gelo. Que pode ser várias, uma em cada dia da semana. Eu tenho o cabelo que eu quiser, a unha da cor que eu quiser. Os peitos do tamanho que eu quiser, e do material que puder pagar. O que eu não trocaria por uma armadura medieval , uma prótese blindada talvez. A prova de balas, a prova de facas. Uma prótese dura o suficiente para me proteger de um tiro e maleável o suficiente para ainda deixar o amor entrar.

Bailarina troglodita de pernas de pau. Eu fui expulsa da escola de dança e aprovada em primeiro lugar na escola da vida. Vestibular de morte, na cadeira da “bombadeira”, minha primeira lição. Era a pele que crescia e me dava a aparência que eu sonhava. Conosco, a beleza e a morte andam de mãos dadas.

No mesmo trilho de uma vida marcada por dedos que apontam ate o fim da existecia.

Na minha esquina. Sim, aqui as esquinas tem donos. A noite, meninas como eu ou como outra qualquer, usando um pedaço de tecido fingindo ser uma saia, brincos enormes, capazes de fazer uma mulher comum perder o equilíbrio e um salto de acrílico de altura inimaginável, que a faz sentir-se inatingível. Ela merece uma medalha.

Para um carro, um homem ao volante que deixa em casa sua mulher, e quer ser mulher, ate mais feminina que nós talvez. Porque dessa vez os litros de silicone, os cabelos tingidos, os brincos enormes, o saltos altíssimos não impressionaram a ele. Seu desejo é pelo que ela não mostra nas ruas, ela vai ter que se ver como homem mais uma vez. E a vida segue. Muitas morrem, outras nascem cada vez mais novas. E assim elas vão, desviando dos tiros, esbarrando no preconceito, correndo da polícia. Mas sempre com um batom nos lábios, um belo salto nos pés e na maioria das vezes um vazio no coração.

Ela não precisa de redenção.

Após ser trocada, dentista arranca todos os dentes de ex-namorado




NEGRIARA
Dentista (Foto: SXC)

 Dentista polonesa enfrenta pena de prisão por remover cirurgicamente todos os dentes de seu ex-namorado depois que ele a trocou por outra. Marek Olszewski, de 45 anos, marcou nesta semana consulta com a ex, Anna Mackowiak, de 34, devido a uma dor de dente, mas acabou sendo alvo de uma cruel vingança. O caso aconteceu na cidade de Breslávia, na Polônia.
Anna sedou o ex-namorado com anestésicos e, em seguida, retirou todos os dentes de sua boca. Para que ele não percebesse o feito até sair de seu consultório, a dentista envolveu a cabeça do homem com bandagens. De acordo com o Mail Online, a mulher disse que tentou ser profissional e separar as ações de suas emoções, mas não conseguiu.
Olszewski afirmou que percebeu que algo estava errado quando, ao acordar, não conseguiu sentir nenhum dente na boca. Mas ao reclamar da dormência para a ex, ela teria garantido que ele ficaria bem assim que o efeito da anestesia passasse. “Eu não tinha nenhuma razão para duvidar dela. Quer dizer, eu achava que ela era profissional”, disse ele ao site.
Mas o homem estava errado. Quando chegou em casa e se olhou no espelho, Olszewski ficou horrorizado com a boca vazia. Para piorar, a nova namorado do polonês, por quem ele havia trocado a dentista, terminou com ele após vê-lo totalmente sem dentes.
Agora, Anna está sob investigação por negligência médica e abuso de confiança de um paciente. Ela pode ter que cumprir até três anos de prisão.